Zé Maria 16: Estatizar, estatizar, estatizar

ZÉ MARIA: ESTATIZAR, ESTATIZAR E ESTATIZAR

O programa do candidato Zé Maria (PSTU) é, dos até agora lidos, o mais bonito e melhor organizado (em termos design e PDF, hehe). Em tópicos extremamente claros, títulos grandes, proposta gráfica clara, imagens e tudo nos trinques. Gostei.

Já o conteúdo. Tudo tem uma urgência muito grande, um desespero; e tudo, TUDO, é sugerido de maneira a cair no colo dos trabalhadores.

Começa falando sobre Economia; critica Lula por ter pago a dívida internacional e que com Zé Maria, vai vigorar a lei do calote, revertendo essa verba que seria das dívidas para outras áreas carentes, como Saúde e Educação. Eu gosto da ideia, os credores nem tanto; mas eu gosto mesmo assim. Quando tivermos um país sem miséria, sem analfabetismo como o que temos hoje, aí sim teremos condições de pagar dívidas. Por ora, é complicado.

Vende um discurso contra as multinacionais, as grandes corporações que é fácil de embarcar. Mas sugere uma reestatização de empresas privadas, ponto que eu não concordo – temos um Estado pra lá de desorganizado, viciado e em muitos pontos, falido – colocar empresas como Vale, CSN e outras no bolso do Estado só vai cagar com a empresa (não dá pra ter certeza que os lucros continuarão os mesmos em gestão do estado, e se for pra apostar, tenho certeza que vão falir).

Mas as críticas são válidas diante das corporações (depois que vi o documentário The Corporation, fiquei amedrontado mas não parei de comer Big Mac), mas estatizar não é o caso. (Aliás, percebam como eles vão querer estatizar e entregar aos trabalhadores até a sua cueca, [e]leitor).

Um tópico inteiro é dedicado ao alarme de mantermos a Petrobrás 100% brasileira; o título é bacana, a ideia, idem. Privatizar a Petrobrás parece um fantasma, não que eu entenda qualquer coisa de economia, mas entregar a Petrobrás a interesses privados não soa legal – e é o que ela já vem fazendo aos poucos de acordo com o programa. Vale o alerta.

Também prega a estatização dos bancos e a entrega deles aos trabalhadores (?). Ponto que, ao ler, achei uma maluquice gigantesca – muito em questão do lucro retardado que essas empresas têm. Mas aí fico meio dividido, ninguém gosta dos bancos, principalmente do quanto de grana perdemos com eles e a montanha de dinheiro que ganham em cima gente, mas fico em dúvida se estatizar é o caso; sei somente que têm de acontecer um golpe duro nesses caras pararem de chupar tanto nossa grana.

Depois de gastar mais da metade prometendo coisas incríveis e estatizando TUDO e jogando no colo dos trabalhadores (seja lá o que isso signifique), o final do programa parece uma correria de uma escola de samba pra fechar dentro do tempo na avenida. E é como eu acredito: Educação e Saúde são dois pontos CABAIS para o Brasil – todo o resto viria com muito mais facilidade se esses dois pontos se resolvessem. Mas não parece ser assim que os candidatos (pelo menos os que li até agora) pensam.

Promete aumentar a aposentadoria (bonito) e um plano de emprego para todos os cidadãos de forma que o mercado de trabalho não torne-se tão canibal e terrível (também muito legal), mas a questão é como conseguir isso sem abrir mão da mão-de-obra qualificada – visto o nível baixo da educação brasileira? Também é muito vago nesse ponto, parece promessa de campanha (e o é, de fato).

Fala em construir casas e colocam uma foto bonitinha de milhares de casas iguais. Bléh. Fala de jovens e nesse parágrafo não dá pra entender absolutamente nada do que propõe: a ideia é dar um futuro ao jovem, mas… cadê? Como? O quê? Aliás, o que falta ao jovem? Acho essa discussão tão estranha.

E nos pontos importantes, pelo menos pra mim, a resposta para o PSTU é uma: estatizar. Estatizar a saúde, os hospitais particulares e distribuir remédios gratuitamente (que é uma ideia e tanto). Mas diante do fato dos hospitais públicos estarem meio sucateados (vêm melhorando, mas ainda falta muito para estar ao nível de hospitais particulares) eu fico me perguntando como conseguiriam manter tantos hospitais com a mesma qualidade que alguns apresentam (principalmente notando um certo descaso com a Saúde no programa de governo).

E sobre Educação, então: fazer escolas e aumentar salário de professor. Repito o que disse no de Lévy, faltam escolas pra população, óquei. Mas não é isso que resolve nossa educação – o problema é ‘como’ ela é feita. E nada se propõe discutir isso.

Propõe uma reforma agrária pra diminuir preços de produtos (promessa que aparece na novela Pantanal de 90 e que até hoje ninguém fez), um ensaio de melhorias contra a Violência Urbana como a população da região eleger o delegado (maluquice, isso!).

Prega a legalização do aborto, que eu acho bacana e finaliza pregando um governo com ecologia socialista (?) pra salvar o planeta.

E repito o que acho: o planeta não precisa ser salvo, a humanidade é que precisa. Nós morreremos todos se nada mudar, mas o planeta continuará firme e forte.

Em suma, é um projeto muito utópico: muito voltado pro trabalhador, entregar tudo pros trabalhadores, os trabalhadores irão dominar, pilhar e estatizar. Não gosto, embora tenha pontos que interessam ao serem levantados – mas mal são debatidos.

Penso sempre que os ideais socialistas (defendidos pela sigla) jamais vão funcionar como sistema governamental, JAMAIS. Nem socialismo, nem comunismo. Por que esses pensamentos, ideias são necessários estarem nas pessoas e não no machado do governo. Se as pessoas não pensarem em todos, não adianta tentar governá-las assim.

Bruno Portella

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Uma resposta para “Zé Maria 16: Estatizar, estatizar, estatizar

  1. Você realmente não entendeu nada do que é um programa classista e socialista. Estuda mais, meu querido, por favor.

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