Lévy 28: Capacitado atômicamente

O programa de governo proposto pelo PRTB na figura de Lévy Fidélix, o homem do Aerotrem, é um PDF facilmente encontrado no site.

Leitura chata. Chata por que, além de ser mal diagramado (ponto que eu tolero, por não ser um trabalho artístico) ele é mal escrito (!). E aí não dá pra segurar a peteca de uma proposta para governar um país que esteja mal escrito. Inclusive com erros de português por aqui e por acolá. Deuzolivre. Mas sigamos.

A proposta é dividida em capítulos, ou tópicos, e dentro deles vários assuntos jogados com um ou outro parágrafo destacado em negrito.

Começam eles falando de Desenvolvimento Nacional – propondo mudar o foco do mercado para a produção, pretende-se dar um tapa no setor especulativo (não entendo de economia, mas sei que esses crápulas fodem o país).

Aí entram num tópico chamado de: “Propositura de mini reforma constintucional (sim, com erro, mas o mais alarmante é o ‘mini’; hein!?) A leitura é um rol de promessinhas bobas e antigas: reduzir taxas e taxas e taxas.

Em terceiro, o homem pretende transformar o Bolsa-Família em Salário-Família, substituindo o benefício atual por um salário que seja igual ao salário mínimo (R$510 dinheiros atualmente) ao invés do benefício (que gira em torno, se convertido em moedas, de R$180 dinheiros). Óquei, teoricamente, as famílias estarão ganhando mais; mas como farão as famílias que moram no afastamento do cu do Judas pra gastar o dinheiro? Além disso, somente receberá o benefício àquelas famílias que apresentarem histórico de vacinação e acompanhamento escolar (mas, puerra, se elas não tem o mais BÁSICO, como terão saúde e educação que, inclusive, o governo não provém de forma universal e correta?). Fala sério.

No quarto tópico, o PRTB sugere cortar os impostos de 10 alimentos básicos da cesta básica; francamente, uma campanha não pode se apoiar numa parada dessa. Acho até legal, mas… Entendem o que eu quero dizer? (aqui há um grave erro no arquivo em que o texto não parece ter final, cortado de forma bastante estranha).

Em quinto, a risada. Ou eu não sei fazer contas, que muito bem pode ser o caso, haha. Sugere o PRTB implantar uma lei em que, TODA criança que nascer em solo nacional terá, no ato do nascimento (sabe-se-deus-lá-como vão fazer isso), a abertura de uma conta poupança em seu nome, com o depósito de R$2.040 (dois mil e quarenta) dinheiros a serem sacados apenas quando completarem 21 anos. A ideia é que tenham uma juventude digna para usufruir depois dos 21. Ora. O que eu vou fazer com dois mil lelecos com 21 anos se a faculdade me come 20 mil em quatro? Aí lembrei que a poupança rende. Busquei um simulador e fiz a conta (usando o índice de 0,5% por mês que eu vi no site do Banco do Brasil). Deu R$ 2.265,00 depois de 21 anos. É. Ajudou. ¬¬ (ou eu não sei fazer contas e isso é MUITO possível).

Depois, fala ele sobre outro banco. Um de poupança, emprego e desenvolvimento econômico da juventude. Já não gosto da criação de um banco novo, e a ideia é dar grana pro recém formado da faculdade dar início à sua vida de empregado de forma digna (e os exemplos dados são muito patéticos e do século 19: o médico, pra ter seu consultório, o advogado, pra ter seu escritório, o arquiteto, pra ter sua empresa; e o blogueiro, Levy, caralho? Vai abrir um site como, cacete?)

O sétimo é, talvez, o ponto que eu mais gosto. É homérico e se chama: MARCHA PARA O CENTRO-OESTE. Eu sempre sou da opinião que a população urbana do Brasil é muito mal distribuída e tem terra PRA CACETE pra povoar no centro do país (isso sem precisar destruir Pantanal e pólos arvorescos que, aliás, já estão sendo destruídos sem uso útil ALGUM). A ideia é fazer cidades planejadas e mudar o foco das empresas do eixo São Paulo-(insira aqui outro Estado clássicO) para os estados do centro. Eu gosto.

Mas aí o bicho pega na proposta; e o final é um desastre total. Em saúde, educação, habitação e segurança a coisa vira piada (justo onde mais precisava acertar). Primeiro que, pra cada um desses itens, se prevê o uso de 1% do Pré-Sal para cada uma delas se desenvolverem. UM POR CENTO, MANO. Tá, se cada um levar um, dá QUATRO POR CENTO! Porra, é saúde, educação, habitação e segurança (o quarteto fantástico das necessidades brasileiras), deveria ser 96% focado nisso e os outros 4% pro resto, cacete.

Na educação, acha que dando banda larga vai resolver o problema. Fala sério. Na saúde, nem consegui pontuar nada que chamasse a atenção, em habitação, centro-oeste, agora… em Segurança. Meu pai.

Aspresentcha alisando, dizendo que vai aumentar salário de poliça e bombera. Aí vem: prisão de segurança máxima em ilhas e NAVIOS em alto mar. FUCKIN SHIPS, man! Daria uns bons filmes de motim. Mas não para. Prevê a PRIVATIZAÇÃO das Penitenciárias. Bauru II, subsidiada pela Allianz, já pensou? E os interesses por trás?

E a ‘revolução na infraestrutura nacional‘ que vem depois? Jesus amado, uma confusão com aerotrens pra lá, monotrens pra cá e um ponto em negrito no arquivo: construção de DEZ USINAS ATÔMICAS, explorar o potencial híbrido do país – vou me sentir meio Na’vi nessa história e o Brasil virando Pandora. DEZ USINAS ATÔMICAS? Temos duas: inúteis. E que já deram problemas. E o homem quer me fazer DEZ? Mas tem um motivo.

E o motivo aparece no último tópico: Brasil, potência do século XXI. Vou apenas quotar, ipsis litteris, um trecho do programa:

(…)um Estado cada vez mais interativo no concerto das nações; com suas forças dissuasórias altamente reequipadas, ampliadas e prontas para atuar em terra, no ar e no mar, inclusive capacitadas atomicamente;(…)

Inclusive capacitadas atomicamente. Ou eu estou vendo filmes americanos demais, ou o meu entendimento é: BOMBAS fucking ATÔMICAS. O Brasil. Com Bombas Atômicas.

I’ll rest my case.

(A proposta é muito mal formatada e formulada. Sem condição.)

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