Propaganda e o crivo social


A falta de bom gosto, ou mesmo visão social dentre algumas das atuais criações nos leva a crer que os profissionais de criação, ou se encontram em total falta de boas influências e abrilhantamentos criativos ou se renderam de uma vez à algumas fórmulas apenas para a leiga aceitação de seus clientes.

Pior que a falta de bom gosto, irrepreensível, é a falta de consciência social de algumas criações que andam por aí veiculando – trágico imaginar que a falta de consciência social está, no entanto, no ser humano que a projeta.

“Não minha querida irmã, a publicidade não deve ser abolida. Deve ser reformada.” Sentencia David Ogilvy (1963, p. 164) em um de seus livros mais aclamados quando sua irmã, socialista, o desafia a concordar com ela de que a publicidade deveria ser abolida.

Sou obrigado a concordar com Ogilvy, mas entender sua irmã comuna, cuja acusação torna-se ainda mais atemporal quando colocada nos dias de hoje. É sob essa desconfiança que eu coloco a criação publicitária – se sob os olhos de Lady Hench, irmã de Ogilvy, ela beirava a acusação alienista, eu serei menos radical e colocarei a desconfiança apenas no âmbito da falta de responsabilidade social da mesma.

A publicidade tem o poder de mexer ou até mesmo manipular o comportamento da sociedade – arrisco a dizer que quanto menos exercer esse poder, melhor; em tempos como os de hoje, influenciar de forma boa seria uma boa ajuda, mas essa opção é cada vez mais escassa. O que vigora de forma descarada é a manipulação e influência negativa na sociedade com tons preconceituosos, paradigmas ultrapassados, profusão da exclusão social e diversos outros temas de um comportamento degenerativo da sociedade. E a publicidade tem grande culpa neste cartório.

Um anúncio só será uma verdade publicitária se o público acreditar nele. E só vai acreditar nele, se entendê-lo. E só vai entendê-lo, se prestar atenção. E só vai prestar atenção, se ele for original, inovador e criativo. (SZKLO, 1998, P. 11)

Talvez seja a hora de começarmos a dar uma verdade publicitária um pouco menos nociva ao público.

Bruno Portella – 2007

Obs.: Por ser um texto antigo, eu talvez não concorde mais 100% com ele, não creio que  fosse uma boa se a publicidade assumisse uma posição qualquer em função de um bem social, mas continuo concordando que poderia evitar alguns desvarios nocivos. Dá pra ser criativo sem ser trágico, exemplos por aí não faltam.

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Imagens por: countertext | 1SHTAR

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