Cerveja é astro-rei!

O TGI. Monstro sagrado da graduação mackenzista, curiosamente chamado de forma diferente das demais instituições acadêmicas (ao que o trabalho atende pela não menor sigla, TCC). O Trabalho de Conclusão de Curso, o trabalho de conclue o curso. Não vou ser aqui entusiasta do anti-mackenzismo, o trabalho de graduação interdisciplinar também cai como uma luva e se formos aqui pensadores, é melhor que não se conclua o curso, mas que se mantenha o barco neste rio da propaganda. Aceito melhor TGI do que TCC. Aprendi a respeitar o TGI e a duvidar do TCC (parece doença, não sei).

Você planeja durante semestres e descobre que, na realidade, tudo que precisa são de 4 fins-de-semana não-dormidos para fazer, alguns acessos de gastrite, algumas garrafas de Coca-Cola (não é post pago, uma pena), guarnição – e o inseparável notebook, ou seja lá o que use para trabalhar (sim, a velha folha almaço inclue-se aqui). Tenha tudo perto, por que ele te ataca, no meio de um garfo da janta, no meio da palavra-cruzada, no meio da transa, antes do encontro, no meio do café – ele estala um bípe na sua cabeça e te deixa louco até que você acalme a besta escrevendo alguns parágrafos de macroambiente.

Eu escolhi, sem querer, um caminho difícil. Sobrei sozinho num grupo só de garotas, selvagens e cruas como somente índias podiam ser – e índias acabaram sendo. Agência índias.

O cliente, muito menos selvagem e muito mais cinzento e cotidiano do que a crueza das tabas, a cerveja, mercado meio corredor polonês, meio matadouro de fracos. Meio Kotler, meio Freud. Mas aqui, é Kotler quem explica.

A Cerveja Sol, nome de astro, entrante, bobinha, engraçadinha, geladinha, da galerê. Parecia uma boa ideia. Parecia… uma boa ideia. Começaram os problemas, mania de tucano o pragmatismo mackenzista, quer os números reais; e aí você se descobre tentando conseguir o balanço financeiro de uma gigante das bebidas de outro país (FEMSA, Mexicana) – é como a vida real, mas você não está no FBI e não dispõe de escutas para descobrir os segredos de uma gigante industrial. E aí as coisas ficam diferentes.

As coisas ficam diferentes, boy. Por que você se descobre que não precisa apenas de dados financeiros, mas também de distribuição (guardado a sete-chaves), de investimentos em marketing (um cão cérbero antes do departamento), ou de qualquer coisa que o valha e se bobear, o cachimbo cai e você acaba preso… no México, até, curtindo uns tacos e tentando atravessar a fronteira.

Mas até aí aguentamos, menosprezamos: ‘ah, isso é coisa de marketing, dane-se’, quando na realidade estamos enlouquecidos de tal forma com números – fingindo não ligar – que, certa feita, o orientador implora que nos apercebamos que não somos, de fato, o departamento de marketing da empresa, mas um grupo de indígenas ainda estudantes e postulantes ao bacharel da propaganda dita criativa.

Criativa até quando? Parte de nossas ideias centrais para a campanha foram completamente mudadas com pouco tempo para entrega – sim, e isso deve acontecer nas agências, não é? Alguns tapas, cabelos no chão e muita discussão – decidiu-se pela linha criativa a seguir. Algo que mudasse os hábitos de sempre seguir hábitos, não mudar de a para b, mas tentar o b também, por que não? E então, produção severa e enlouquecida de horas e horas atrás de Photoshops, Illustrators, Flashes, InDesigns e afinais.

O resultado poderia ser melhor, claro, sempre sou crente que poderia ser melhor, mas foi o suficiente para que nos fôsse concedido a nota máxima da academia. E o trabalho que encerra o período de quatro anos, não poderia estar melhor representado do que esta cria de cabelos loiros e corpo sexy. À parte com a saúde que me roubara, foi um deleite prazer acabar com esse monstro e colocá-lo no bolso. Avante Sol e se bebesse, te beberia, loura.

Clique na imagem para ver as peças da campanha:

Agência: índias

Direção de arte: Bruno Portella

Redação final: Anna Raquel

Redação: Juliana Reis, Rachel de França, Anna Raquel e Bruno Portella

Modelo (em algumas peças): Patrícia Carolina

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