Raul Fora-da-Lei

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Neste ano que se completam 20 anos sem Raul Seixas, diversas são as maneiras que os fãs encontram para homenagear a obra do roqueiro baiano. Ainda que, talvez, nada supere o palco incrível na Virada Cultural, o conglomerado da Sé homenageando Raul (porcamente coberto pelos aspirantes a CQC) ou a famosa passeata do Raul são eventos distintos e que buscam sempre deixar vivo o legado que ele nos deixou.

Raul Fora-da-Lei é um musical que conta, entre músicas e citações, a vida de Raul desde criança até sua morte. As canções mais famosas estão lá, com um arranjo ou algumas estripulias diferentes para que se encaixem na mecânica do musical – que jamais tiram o brilho das canções, facilmente maleáveis para se adequar à linguagem teatral. A trupe da Oficina dos Menestréis encarnam com a fácil tarefa de soarem sempre empolgados e como ser diferente em uma peça que começa Plunc Plact Zumeando?

O que encanta – e não digo desta montagem em particular, mas em todas as que eu pude presenciar do grupo – é a inventividade em usar os elementos do próprio teatro para criação de cenas extremamente criativas (certa feita da peça, a cortina sobe vacilante e para muito antes de abrir-se por completo; o que parece uma falha do estagiário puxando a cordinha, revela-se uma criativa forma de ilustrar a canção).

No tocante à Raul, é evidente que quem escreveu o musical (e não faço ideia de quem seja) conhece a obra de Raul Seixas e a trajetória do músico baiano; ainda que milhares de músicas fiquem de fora (natural, considerando o tamanho do que nos deixou o maluco) as falas do protagonista passeiam tranquilamente em suas próprias citações dentro de músicas excluídas – fazendo todo o sentido e trazendo toda a coerência para a narrativa do musical. Quem não conhece Raul, simplesmente acha que é uma fala escrita, mas pra quem é fã, vai se deliciar adivinhando de que música vem cada fala daquele Raul encarnado – aliás, muito bem encarnado. Ainda que cantando não tenha o brilhantismo do baiano (seria pedir demais), falando, o ator, consegue reviver seus trejeitos e convence quem gosta.

O grandissíssimo problema do musical é que ela é exibida em um teatro. Explico: é torturante ouvir músicas como Plunct Plact Zum, Geração da Luz e (meu pai do céu) Sociedade Alternativa sentados; fiquei imaginando, o musical todo, se ele tivesse sido feito, por exemplo, no palco da Virada ou, muito melhor, no próprio teatro, mas sem nenhuma cadeira no lugar – como uma casa de shows (muitos recursos visuais que encantam no musical fazem uso do ambiente do teatro, como a grata surpresa na música de abertura e que jamais funcionariam plenamente ao ar livre).

A impressão final é de que cuidaram bem de Raul e fizeram uma homenagem fantástica – a única sugestão é a de retirar todos os bancos da próxima vez.

Detalhe: tem o xuxuzinho do @felipeyuji de cuequinha na peça; sem falar nas beldades em trajes mínimos para os adolescentes.

Serviço:

Teatro Dias Gomes
Rua Domingos de Morais, 348 – Vila Mariana – ao lado do metro ana rosa
Todos sábados e domingos de setembro

Sábados: 21hs
Domingos: 20hs
Ingressos: 
Bilheteria: R$ 40,00
Estudante: R$ 20,00
Com o Elenco: R$ 15,00

Leia também: Há de ser tudo da lei


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